Uma breve reflexão em Mateus 19:13-15
Jesus inicia a sua ida para Jerusalém, indo para a Pereia, que é a região leste do Rio Jordão. Junto dele, foi uma grande multidão. E, observando este capítulo 19, Jesus dá instruções práticas sobre diversos temas:
Sobre o divórcio (1-10);
Sobre o celibato (11-12);
Sobre as crianças (13-15);
Sobre entrega (16-22);
Sobre quem pode ser salvo (23-30);
Hoje, falaremos sobre as crianças. Vamos ao texto?
Certo dia, trouxeram crianças para que Jesus pusesse as mãos sobre elas e orasse em seu favor, mas os discípulos repreendiam aqueles que as traziam.
Jesus, porém, disse: "Deixem que as crianças venham a mim. Não as impeçam, pois o reino dos céus pertence aos que são como elas".
Então, antes de ir embora, pôs as mãos sobre a cabeça delas e as abençoou.
Mateus 19:13-15 (NVT)
Então trouxeram algumas crianças a Jesus para que ele lhes impusesse as mãos e orasse, mas os discípulos os repreendiam.
Jesus, porém, disse: — Deixem os pequeninos e não os impeçam de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos Céus.
E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali.
Mateus 19:13-15 (NAA)
Reflexão:
Versículo 13: Alguns estudiosos argumentam que estas crianças que foram levadas até Jesus se tratariam de bebês. O motivo é que:
As crianças eram levadas até Jesus; No capítulo 18, versículo 2, Jesus chama uma criança e ela vai até ele;
O texto sinótico em Marcos (10.16) menciona que Jesus toma as crianças nos braços, algo mais simples de fazer com uma bebê;
A intenção dos pais era que Jesus abençoasse os seus filhos, que orasse e impusesse as mãos sobre os seus filhos. O ato de impor as mãos era uma forma tradicional de abençoar crianças em Israel, especialmente ao se transmitir uma bênção de geração a outra. Os discípulos não queriam que as crianças fossem levadas até Jesus, provavelmente devido a insensibilidade deles - ao ver aquilo como uma distração - ou até mesmo, diante da grande multidão, proteger Jesus do excesso de atenção ou qualquer outra atitude danosa. Qualquer que seja a motivação dos discípulos, eles estavam errados em repreender os pais daquelas criança, pois a atitude deles demonstrava que eles esqueceram de algo que Jesus já havia ensinado antes e que eles não deveriam ter esquecido.
Versículos 14-15: Diante da atitude dos discípulos, há a repreensão de Jesus. A repreensão de Jesus não foi aos pais, mas aos discípulos dele. Com o intuito de protegerem o mestre e evitar “distrações”, os discípulos esqueceram o que Jesus, há pouco, havia falado sobre as crianças. Podemos dividir este versículo 14 em duas partes:
“Deixem que as crianças venham a mim. Não as impeçam”.
O propósito dos pais não era buscar bênçãos para si. Eles queriam que Jesus orasse por elas e as abençoasse. Não se tratavam de coisas materiais mas, sim, de bênçãos espirituais. Vemos, em vários momentos, pessoas indo até Jesus com o objetivo de obterem alguma cura. Estes pais queriam que Jesus abençoasse os seus filhos e intercedesse a Deus em favor deles. Não podemos ser como os discípulos. Não podemos ser entrave para pessoas irem até Jesus, muito pelo contrário, precisamos ser condutores das pessoas até Jesus. E essa condução, se possível, deve ser iniciada na mais tenra idade. Precisamos orar pelas nossas crianças, sermos o exemplo de cristão que nossas crianças precisam ver e ter, independente dessas crianças serem nossos filhos ou não. Se nossos filhos, temos uma responsabilidade ainda maior, pois é desde o lar que devemos levar as crianças até Jesus. Não são poucas as vezes em que, a exemplo dos discípulos, achamos que as crianças vão “atrapalhar” as nossas reuniões. Ora, se há local e horário disposto para as crianças em nossas reuniões, não devemos privá-las de serem abençoadas por Deus através do culto coletivo, da comunhão dos santos e do ensino da Palavra. Não podemos impedir as crianças de irem até Jesus.
“Pois o reino dos céus pertence aos que são como elas".
Aqui está o motivo principal pelo qual não devemos impedir as crianças de irem até Jesus: pois o Reino dos Céus é delas ou, na versão da NVT, que traduz melhor o que estudaremos, o Reino dos Céus pertence aos que são como elas. No capítulo 18, diante de uma discussão dos discípulos, Jesus aponta a necessidade de sermos como crianças. Observando ainda o capítulo 18, olhamos para atitude dos discípulos, ao questionarem Jesus sobre quem é o maior no reino dos céus, como uma atitude soberba. A resposta de Jesus é apontar a necessidade de sermos humildes como as crianças. E, no versículo 5 do capítulo 18, Jesus diz que “quem receber no nome dele uma criança, o recebe”. Os discípulos esqueceram deste ensinamento de Jesus e foram os primeiros a impedir que as crianças fossem até Jesus e, além disso, confiaram na sua própria capacidade em proteger Jesus e definir o que deveriam fazer ou não. A humildade de uma criança, daquele que é um pequenino que pertence a Jesus, consiste em reconhecer sua dependência, incapacidade de agir por si só, de sua pequenez, falta de conhecimento e sabedoria, do seu desconhecimento em relação a vida. O Reino dos Céus é para aqueles que sabem que não podem confiar em si mesmos e que precisam confiar tão só e somente em Jesus. Daqueles que vão até Jesus, de maneira humilde e sincera, reconhecendo que precisam dEle para viver e que é, tão só e somente por Ele, que eles podem viver. Mesmo adultos, continuamos sendo crianças, que precisam de alguém para guiá-las e orientá-las. Todos nós somos pequeninos e continuaremos a ser, até o fim de nossas vidas. E saber quem é o nosso Pai, quem cuida de nós, nos conforta, pois sabemos que jamais estaremos sozinhos. Precisamos ir até Jesus e deixar que outros também vão até ele. Não somente isto, mas, como já dissemos, sermos condutores de pessoas até Jesus. Muitas vezes uma atitude egoísta revela o quanto estamos deixando o Espírito Santo trabalhar, ou não, em nossos corações e o quanto estamos prestando atenção ou não, as palavras de Jesus. Após este ensinamento, Jesus se retira dali, não sem antes abençoar as crianças que foram levadas até ele.
Aplicações:
Precisamos reconhecer quando somos entraves para que as crianças estejam na presença de Jesus. Devido a uma boa instrução bíblica, crianças de lares destruídos e que vivem em situação precária, se tornam grandes homens e mulheres de Deus, que vivem tão só e somente para a glória dEle. Devemos ser aqueles que permitam que as crianças cheguem até Jesus. Se nos preocupamos apenas com os nossos filhos - ou se nem com a saúde espiritual deles nos preocupamos - há algo de muito errado conosco, algo que revela, até mesmo, se somos de fato regenerados ou não. Não se trata de ser habilidoso ou possuir aptidão para trabalhar com crianças, mas sim de um desejo genuíno e sincero de levar estas crianças ao conhecimento de Cristo. Precisamos levar as crianças até Jesus e Jesus até as crianças.
Não podemos achar que Jesus precisa de nós. Somos nós que precisamos dele. Os discípulos, na tentativa de proteger Jesus, impediram outras pessoas de serem abençoados. Jesus não é nossa propriedade. Nós que somos propriedade dEle. Devemos fazer o que Ele nos manda e sermos obedientes a sua Palavra, não a fazermos o que nós queremos. Se Jesus diz que o Reino dos Céus é para aqueles que são humildes como crianças, precisamos entender que dependemos dele para tudo, inclusive para sermos como crianças, pois é através de uma relação contínua e íntima com Deus que vamos moldamos o nosso caráter de acordo com o querer dEle, porque deixamos Ele nos moldar segundo a sua vontade, expressa na sua Palavra. Não podemos proteger Jesus. Nós que precisamos da proteção dEle.
Um abraço
Dodô Ramos
@dodosramos89
uma ótima contribuição sobre um texto tão rico
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