Um breve estudo em Mateus 23:33-39
Em Jerusalém, após passar por diversos questionamentos da parte dos fariseus, dos herodianos e dos saduceus, Jesus passa a proferir a estes mesmos que o acusaram, vários “Ais”, que como vimos antes, é um misto de condenação, lamento e tristeza, visando, principalmente, o arrependimento daquele a quem o “ai” é direcionado. Após terminar de proferir esses ais, Jesus fecha com uma advertência, seguida de um lamento por Jerusalém. Vamos ao texto?
— Serpentes, raça de víboras!Como esperam escapar da condenação do inferno?
Por isso, eis que eu lhes envio profetas, sábios e escribas. A uns vocês matarão e a outros crucificarão; a outros ainda vocês açoitarão nas sinagogas e perseguirão de cidade em cidade;
para que recaia sobre vocês todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abelaté o sangue de Zacarias,filho de Baraquias, a quem vocês mataram entre o santuário e o altar.
Em verdade lhes digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração.
— Jerusalém, Jerusalém! Você mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram!
Eis que a casa de vocês ficará deserta.
Pois eu lhes afirmo que, desde agora, não me verão mais, até que venham a dizer: "Bendito o que vem em nome do Senhor!"
Mateus 23:33-39
O versículo 33 é uma conclusão do que começou no versículo 2, que são várias condenações a conduta hipócrita dos fariseus e escribas. Neste versículo, eles são chamados de “serpentes, raça de víboras!”. As víboras eram conhecidas por seus movimentos sutis e suas ações letais e este mesmo termo foi usado por João Batista para descrever os fariseus, pois eles não tinham interesse em se arrependerem, uma vez que criam que eram salvos por serem filhos de Abrãao. Quando Jesus diz que “como esperam escapar da condenação do inferno?”, estes palavras vão diretamente para eles contra aquilo que eles acreditam. A mesma condenação feita por João Batista, em Mateus 3.7-9 era feita aqui pelo mesmo motivo: vocês não escaparão do inferno por serem filhos de Abraão.
Nos versículos 34 a 36, temos o motivo principal da condenação descrita no versículo 33. Jesus fala a respeito de um juízo que cairia sobre eles, ainda naquele presente geração. Jesus diz que enviaria profetas, sábios e escribas. Profetas, sábios e escribas eram os porta-vozes de Deus no AT. Seus discípulos, naquele tempo, eram estes novos porta-vozes de Deus. Nós somos os porta-vozes atuais, conforme diz Efésios 4.11. E, conforme vemos o que diz em Atos, os fariseus perseguiram os discípulos de Jesus de cidade em cidade, açoitando-os e os matando. E, sobre a raça de víboras, iria recair o sangue justo derramado pela terra, desde Abel a Zacarias. Esta ligação de Abel a Zacarias abrange toda a história bíblica do antigo testamento, pois o martírio de Abel foi o primeiro mencionado no AT e o de Zacarias o último, descrito no último livro do canon hebraico que Jesus utilizava, que é 2 Crônicas. O interessante observar é que o motivo da condenação dos fariseus e escribas era que, ao perseguirem Cristo e, futuramente seus discípulos, os fariseus e escribas se identificavam com seus ancestrais que perseguiram os justos do antigo testamento, ou seja, enquanto eles achavam que eram como os justos, Jesus fez questão de mostrar que eles eram exatamente o oposto. Eles não eram como os justos que foram mortos, mas como os culpados que mataram aqueles justos. E, sobre eles, veio o juízo ainda naquele tempo: a destruição do templo no ano 70 e a destruição de Jerusalem.
E Jesus lamentou sobre a destruição de Jerusálem nos versículos 37 a 39. Sendo o próprio Deus, seus ais, a sua advertência era para que se arrependessem e cressem nEle. Porém, eles não o fariam. A sua casa, o templo, ficaria sem a sua presença, sem a sua glória, como aconteceu nos tempos dos profetas e não mais lhe veriam. As consequências para todo o povo seriam drásticas. Os fariseus e escribas tinham sua parcela de responsabilidade, mas todo o povo, que rejeitou o Senhor, seria condenado de igual forma. Jesus termina, no versículo 39, dizendo que não mais o veriam até que dissessem “Bendito o que vem em nome do Senhor”, como fizeram em 21.9. Quando ressurreto, Jesus aparece a um número pequeno de testemunhas e não vai a Jerusalem. Jesus não disse quando Jesuralem veria o seu retorno mas, é certo, que um ele virá e, não apenas dirão “bendito o que vem em nome do Senhor”, mas todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor.
A todo momento estamos, mais uma vez, sendo convidados ao arrependimento através dos "ais". A mensagem do Evangelho não é uma mensagem que nos agrada, pois é confrontadora. Ela nos mostra o nosso estado de miséria, o quanto, sem Cristo, estamos perdidos, por termos pecado contra a santidade de Deus. Mas também nos mostra que Cristo é a maior prova do amor de Deus, enviado por Ele para resgatar os que são seus. Somente Cristo pode nos aproximar de Deus. Somente Cristo pode nos levar ao relacionamento com Deus, perdido no Éden, por causa de nosso pecado. Eis alerta: não somos justos, não somos inocentes. Por nós mesmos, nada podemos fazer. É Cristo quem nos justifica, é Ele quem nos inocenta. E isso foi feito através do Seu sangue, derramado na cruz do calvário, em favor daqueles há quem Ele há de salvar. Somos todos fariseus, somos todos raças de víboras. Somente Cristo pode nos salvar, nos acolher debaixo das suas asas e nos livrar da merecida condenação. A Ele seja dada a honra, o poder é a glória, para todo o sempre, amém.
Um abraço,
Dodô Ramos
@dodosramos89
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