Um reflexão em Tito 2:11-14
Paulo escreve para Tito, um jovem assistente de confiança seu, a exemplo de Timóteo. Tito acompanhou Paulo e Barbané a Jerusalem (Galatas 2.1), foi enviado a igreja de Corinto para levar uma das cartas enviadas pelo apóstolo Paulo e também retorna com o parecer dos coríntios a respeito da carta (2 Coríntios 2.4,9, 7:6-15) e era tido por Paulo como uma pessoa íntegra (2 Co 8.23 e 12:18). Anos depois deste evento, quando Paulo seria julgado pela primeira vez em Roma, Paulo deixa Tito em Creta, uma ilha na Grécia, para que ele consolidasse ali uma igreja local. Enquanto Tito estava em Creta, Paulo envia esta carta que lemos, com várias instruções para Tito, que são sobre verdadeiros líderes e falsos mestres (capítulo 1), instruções sobre várias classes de pessoas crentes e instruções sobre a graça de Deus (capítulo 2), boa conduta pública, ensino correto e advertência contra discussões tolas e finalizando com saudações a companheiros de caminhada e benção (capítulo 3). Hoje, falaremos sobre a graça de Deus, como ela trabalha e como deve trabalhar em nossas vidas. Vamos ao texto?
11 Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos. 12 Ela nos educa para que, renegadas a impiedade e às paixões mundanas, vivamos neste mundo de forma sensata, justa e piedosa, 13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. 14 Ele deu a si mesmo por nós, a fim de nos remir de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, dedicado à prática de boas obras.
Reflexão:
O texto, no versículo 11, começa com um porque, ou seja, uma conclusão de um assunto. O assunto concluído está no versículos de 1 a 10, do capítulo 2:
Mas você ensine o que está de acordo com a sã doutrina. Quanto aos homens idosos, que sejam moderados, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor e na perseverança. Do mesmo modo, quanto às mulheres idosas, que tenham conduta reverente, não sejam caluniadoras, nem escravizadas a muito vinho. Que sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amar o marido e os filhos, a serem sensatas, puras, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada. Do mesmo modo, quanto aos mais jovens, exorte-os para que, em todas as coisas, sejam moderados. Seja você mesmo um exemplo de boas obras. No ensino, mostre integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo nada de mau a dizer a nosso respeito. Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação. Que não sejam respondões, nem furtem, mas que deem prova de toda a fidelidade, a fim de que, em todas as coisas, manifestem a beleza da doutrina de Deus, nosso Salvador.
O conselho de Paulo para Tito, de que ele ensinasse o que está de acordo com a sã doutrina (versículo 1), era para que ele ensinasse, a começar por ele (como diz o versículo 7), o que era correto para combater os maus ensinamentos dos falsos mestres. As instruções de acordo com a sã doutrina são para: homens idosos (versículo 2), mulheres idosas (versículo 3-5), jovens (versículo 6), o próprio Timóteo, sendo ele o pastor da igreja (versículo 7-8) e para os servos (trabalhadores, nos versículos 9-10). Ou seja, os ensinamentos, de acordo com a sã doutrina, não são para um público específico, mas para todos. Por este motivo, a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos, independente da condição, idade ou gênero. A graça salvadora de Deus é para todos. E o que é graça salvadora de Deus? O imerecido favor de Deus, algo que nós não merecemos e ainda assim recebemos. E como esta graça salvadora, essa favor de salvação, foi manifestada? Através de Jesus. A graça, o favor imerecido de Deus, nos foi dado quando Jesus, foi morto na cruz, em nosso lugar. Nós não merecíamos que ele estivesse naquele cruz, mas por seu amor por nós, ele morre na cruz no nosso lugar, onde a graça da salvação é dada, sem merecimento algum, para todo aquele que crê em Cristo Jesus como Senhor e Salvador da sua vida, que reconhece que e confessa o seu pecado diante de Deus e que, por amor e gratidão - pela salvação de graça concedida - vive uma que agrada ao doador da salvação. Por isso devemos viver de acordo com a Sã Doutrina. Não para obtermos a graça salvadora, mas sim porque a graça salvadora nos foi dada.
No versículo 12, vemos que somos educados, ensinados, admoestados para viver neste mundo para viver de uma maneira que agrade a Deus. E quem nos educa, nos ensina, nos admoesta, nos aconselha, nos repreende? A graça salvadora de Deus, através da obra e da pessoa de Jesus, presente em nós hoje através da pessoa do Espírito Santo. Paulo diz em Efésios 1:13-14:
Nele também vocês, depois que ouviram a palavra da verdade, o evangelho da salvação, tendo nele também crido, receberam o selo do Espírito Santo da promessa. O Espírito é o penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.
O Espírito Santo de Deus é o penhor, a garantia de que verdadeiramente somos salvos. Jesus diz ainda:
Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
O Espírito Santo de Deus não apenas é a garantia da nossa salvação, a garantia de que fomos alcançados pela graça salvadora de Deus, como também nos consola, nos ensina, nos adverte, nos repreende e nos lembra das palavras de Deus. Ele que nos ajuda, nos auxilia, na luta contra o pecado e na adoração verdadeira a Deus. E o versículo 12 de Tito 1 nos diz que essa graça salvadora nos educa a quê? Renegar: a impiedade e as paixões mundanas, vivamos neste mundo de forma sensata, justa e piedosa. Irmão, só é possível viver de acordo com a Sã Doutrina, cumprir a vontade de Deus, se deixarmos o Espírito Santo agir. Paulo diz em 2 Coríntios 5:14:
Pois o amor de Cristo nos domina, porque reconhecemos isto: um morreu por todos; logo, todos morreram.
Outras versões trazem o termo constrange e esta expressão não tem o sentido de deixar envergonhado. A palavra grega usada para o termo constranger, tem o sentido de dominar, impulsionar, pressionar. Se deixarmos o Espírito Santo agir em nós, ele vai nos levar a fazer a vontade de Deus, por quê?
Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele..
Se estamos nos espírito, podemos agradar a Deus. Se não estamos no Espírito, não podemos. Só através da ajuda do próprio Jesus é que podemos renegar a impiedade e às paixões mundanas, vivamos neste mundo de forma sensata, justa e piedosa. Não ache que possa servir a Deus sozinho e de qualquer maneira. Ele te ajuda a servi-lo da maneira que lhe agrada e você só poderá fazer isso se estiver nEle.
No versículo 13, vemos que todo aquele que foi alcançado pela graça salvadora tem essa esperança da manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Tendo o Espírito Santo, o penhor da salvação, o crente aguarda a Segunda Vinda, o retorno glorioso do nosso Senhor Jesus. O crente verdadeiro, que possui o Espírito Santo, possui essa esperança:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que não pode ser destruída, que não fica manchada, que não murcha e que está reservada nos céus para vocês, que são guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para ser revelada no último tempo. Nisso vocês exultam, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejam contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da fé que vocês têm, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado pelo fogo, resulte em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. Mesmo sem tê-lo visto vocês o amam. Mesmo não o vendo agora, mas crendo nele, exultam com uma alegria indescritível e cheia de glória, obtendo o alvo dessa fé: a salvação da alma..
Nossa herança não pode ser destruída, pois fomos regenerados para esta viva esperança que possui um objetivo: a salvação da alma. Josemar Bessa diz que: “o problema do cristão hoje é que ele quer ser um sucesso num mundo para o qual já deveria ter morrido”. Jesus traz uma advertência aos seus discípulos:
— Tenham cuidado para não acontecer que o coração de vocês fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vocês repentinamente,
O cristão verdadeiro, aquele que foi alcançado pela graça salvadora de Deus, está aguardando a volta de Jesus. Ele vive e busca viver como se Jesus fosse voltar hoje. E ele não faz isso por ele mesmo. A carne não quer isso, a carne que as paixões mundanas, a carne quer a impiedade - ou seja, uma vida de negação a Deus. Mas, se dominados pelo Espírito Santo, nós vamos todos os dias viver como se Cristo fosse voltar hoje, não por medo do que pode acontecer, mas porque estamos ansiosos por este retorno. Jesus diz em Lucas que, aquele cujo coração está sobrecarregado com as preocupações deste mundo, o dia do retorno dele será um dia que virá repentinamente. E isto acontece para aquele que não foi alcançado pela graça salvadora:
Irmãos, no que se refere aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu lhes escreva. Porque vocês sabem perfeitamente que o Dia do Senhor vem como ladrão à noite. Quando andarem dizendo: "Paz e segurança", eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à mulher que está para dar à luz; e de modo nenhum escaparão. Mas vocês, irmãos, não estão em trevas, para que esse Dia os apanhe de surpresa como ladrão. Porque vocês todos são filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios. Ora, os que dormem é de noite que dormem, e os que se embriagam é de noite que se embriagam. Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele.
O Dia do Senhor pegará de surpresa aquele que não espera ansiosamente pelo retorno de Cristo. Mas, para aquele que espera, será um dia de glória, porque o vive no espírito e o tem comunhão com o Senhor que tanto espera ver.
No versículo 14, encontramos a resposta para algumas perguntas: Por que devemos viver de acordo com a sã doutrina? Por que devemos deixar o Espírito Santo de Deus controlar a nossa vida e renegar as paixões mundanas? Por que podemos esperar, com esperança no seu retorno? A resposta para estas perguntas é porque Ele deu a si mesmo por nós, a fim de nos remir de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, dedicado à prática de boas obras. Não fazemos as boas obras para alcançar a salvação. Mas fazemos boas obras porque fomos alcançados. As boas obras são vivermos uma vida como descrita no versículo 12: sensata, justa e piedosa. Das três palavras, destaco a palavra piedosa. Uma vida piedosa é uma vida de devoção a Deus. E uma vida de devoção a Deus, é uma vida que só é possível por quem tem o espírito santo (porque o que está na carne não pode agradar a Deus, Rm 8.8). Quando reconhecemos o sacrifício de Jesus por nós, quando reconhecemos que somos pecadores diante de Deus (pela nossa iniquidade, nossa vida de impiedade), quando reconhecemos que aquela cruz deveria ser nossa - e não dele, quando reconhecemos que ele voluntariamente se entregou em nossa lugar, para nos dar a salvação, salvação da morte, salvação do pecado, salvação da ira de Deus que está sob todo homem por causa do pecado e então, confessando com a boca e crendo com o coração, dizemos que ele é o nosso Senhor e no nosso Salvador, somos salvos pela sua graça, por causa da fé que temos nele, porque cremos que Jesus é o enviado de Deus e que, crendo em Jesus, não há mais condenação. Por esse amor, e tendo o espírito santo, o próprio Jesus nos ajuda a vivermos uma vida de devoção a ele, com oração, leitura, palavra, comunhão, pregação do evangelho. Não podemos agradar a Deus, não conseguimos resistir a impiedade - uma vida de não devoção a Deus, não conseguimos resistir às paixões mundanas - o que vai contra a sã doutrina é padrão de comportamento no mundo se não estivermos buscando uma vida com o Senhor. Renunciar uma vida de piedade, uma vida de devoção, é ignorar o sacrifício de Jesus. É mostrar, pra si mesmo e pra Deus, que você talvez você precise verdadeira ser alcançado pela graça salvadora, porque a verdadeiro crente mostra que possui graça salvadora, que vem através de uma fé salvadora, através das ações, das boas práticas, das boas obras e isto não vem do esforço do próprio crente, mas sim da ação do Espírito Santo em sua vida.
Aplicação:
Não fomos salvos para vivermos para este mundo, mas para o Senhor. Mesmo que estejamos inseridos neste mundo, precisamos entender que não pertencemos a ele. Somos levados desde a mais tenra infância a agirmos como este mundo, buscando o nosso prazer e satisfação pessoal, acima de qualquer coisa e pautando nossas vidas através de afirmação e aceitações, pessoais e dos outros. Como regenerados, entendemos que não nascemos para ser felizes aqui. Nascemos para a glória de Deus e que a nossa alegria está no Senhor, não em qualquer coisa que teremos aqui. Precisamos viver nossas com a nossa esperança no retorno do Senhor. A maior alegria do verdadeiro crente é a certeza do retorno do seu Senhor e de que este estará com ele na glória e, enquanto estivermos nesta terra, temos uma vida prática de devoção, cumprindo alegremente a vontade do nosso Deus. Que Deus abençoe a sua vida Dodô Ramos @dodosramos89
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