Um reflexão em Marcos 8:1-9

Jesus, no tempo em pregou o evangelho da salvação, realizou muitos milagres. Só nos capítulos anteriores de Marcos, vemos Jesus curando enfermos na terra de Genesaré (versículos 43 a 56 do capítulo 6), ressuscitando a filha de Jairo (versículos 35 a 43 do capítulo 5) e acalmando uma tempestade (versículos 35 a 41 do capítulo 4). Hoje, eu gostaria de falar com os irmãos sobre mais um milagre de Jesus: a segunda multiplicação de pães e peixes. É chamado de segunda multiplicação dos pães e peixes ou Alimentação dos 4 mil porque em todos os evangelhos, incluindo Marcos, há a primeira multiplicação de peixes, onde 5000 mil são alimentados. Vamos ao texto?

 

Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo o que comer, Jesus chamou os discípulos e lhes disse:

— Tenho compaixão desta gente, porque já faz três dias que eles estão comigo e não têm o que comer.

Se eu os mandar para casa em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe.

Mas os discípulos lhe responderam: — Como poderá alguém saciá-los de pão neste deserto?

Então Jesus perguntou: — Quantos pães vocês têm? Eles responderam: — Sete.

Então mandou o povo assentar-se no chão. E, pegando os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu aos seus discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo.

Tinham também alguns peixinhos. E, abençoando-os, mandou que estes igualmente fossem distribuídos.

Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos.

Eram cerca de quatro mil homens. Então Jesus os despediu.

Marcos 8:1-9

 

Reflexão

 

No versículo 1, vemos que a Jesus estava na região de Decápolis, um região que ficava ao sul do Mar da Galileia, sendo uma região habitada majoritariamente por não judeus. No capítulo 7, vemos que Jesus cura uma mulher fenícia. Além dela, ele também quando cura um surdo gago, quando estava indo em direção a Decapolis. Ao final, Jesus pede que não contassem a ninguém o milagre realizado, porém, quanto mais recomendava, mais divulgavam Jesus. E, esses que ouviram e viram Jesus curar aquele homem começaram a segui-lo, reunindo-se diante dele. Nos dias em que esteve em Decápolis e com toda aquela multidão reunida em torno dele, chama os discípulos para tratar de uma questão.

 

No versículo 2, vemos que estas pessoas, que seguiram Jesus, após a realização de todos estes milagres, estavam 3 dias sem ter o que comer. Ainda que nenhum deles reclamasse, ainda que nenhum deles dissesse coisa alguma - simplesmente pelo desejo, pela vontade de estar perto de Jesus - Jesus olhou para as necessidades dessas pessoas e teve um sentimento: compaixão. Jesus tem compaixão da necessidade do povo. Jesus não é alheio ao sofrimento das pessoas, pelo contrário, como alguém passou por fome 40 dias num deserto, ele sabia o que ter fome. Como alguém que foi tentado pelo diabo, ele sabia o que era ser tentado. Como alguém que passou pelos maiores sofrimentos que o ser humano poderia passar, ele poderia sentir e saber o que o outro sente. Jesus sabe o que se passa conosco e sabe o que nós precisamos.

 

No versículo 3, observamos que Jesus sabia que precisava que precisava continuar sua missão e seu ministério e que, dentro deste propósito, aquelas pessoas que estavam ali com ele deveriam voltar para as suas casas em algum momento. Também sabia que alguns deles tinham vindo de longe, ou seja, estavam com fome e num lugar distante. Mas há um um diferencial. Eles estavam com Jesus. Eles suportaram a fome, suportaram a distância, pelo vontade, pelo desejo de estar próximos de Jesus e daquilo que só ele pode ensinar e fazer. Quando estamos próximos de Jesus, ainda que estejamos sim, passando por necessidades, nós não olhamos para nossas necessidades, olhamos pra Jesus, porque ele, ele sim, é tudo o que a gente precisa. São as palavras dele que nós necessitamos, da presença constante dele na nossa vida.

 

No versículo 4, após explicar toda a situação aos discípulos, ele recebe uma resposta um tanto irônica. Os discípulos parece que esqueceram o que havia acontecido meses antes: Jesus já havia alimentado uma multidão. Na primeira multiplicação (Mc 6:32-44), nós temos Jesus que, vendo que aquelas pessoas eram ovelhas sem pastor (Mc 6:34), resolve ensiná-las e, ficando tarde, seus discípulos pedem que Jesus despedisse as pessoas, para que ainda pudessem comprar algo para comer. Jesus repreende, pede que eles verifiquem alimento e tragam para que Jesus alimenta a multidão, antes de despedi-los com fome. O problema para eles, possivelmente, eram as condições desta segunda multiplicação:



  1. Aquela multidão ficou com Jesus apenas 1 dia. Esta multidão estava a 3;
  2. A primeira multidão era composta em sua grande maioria por judeus. Esta segunda, por gentios (o que, provavelmente, explica a atitude mais ríspida dos discípulos);
  3. Outra questão é que Decápolis, onde Jesus e os discípulos estavam, era bem menos povoada que a região da Galileia;

 

Muitas vezes nós esquecemos os milagres que Jesus faz em nossas vidas e questionamos o que o Senhor pode fazer. E isto, a exemplo dos discípulos, também acontece com aquele que está próximo de Jesus. Por isto, precisamos pedir e buscarmos sempre a presença do Senhor para que o Espírito Santo haja da maneira que ele quer em nossas vidas.

 

No versículo 5, Jesus ignora a resposta dada pelos discípulos e questiona quantos pães eles tinham, obtendo a resposta de que eram 7 pães. Esses pães são diferentes o pão de sal, pão francês, pão de forma que nós temos hoje. Se trata de uma espécie de bolo de pão, então você imaginar o pão do tamanho de um bolo, pelo menos. Logo, é possível, humanamente, dividir esse bolo de pão em pedaços menores. Agora se você pegar, ainda humanamente, este 7 pães, do tamanho de um bolo e dividi-los em pedaços, daria cerca de 20 a 30 fatias de pão (quase que do tamanho de um pão de forma) para cada bolo. Ou seja, 140 a 210 fatias de pão no total, para 4000 mil pessoas. Se comendo uma fatia de pão ficamos com fome, imagina comer menos de 1? Mas é diante da adversidade que Jesus opera. É quando estamos fracos, que Ele se torna forte em nós.

 

Nos versículos 6 e 7, vemos que Jesus toma algumas ações ao ver o pão e a quantidade de pães:



  1. Primeiro, Jesus manda o povo se assuntar. O povo prontamente obedece. Para vermos o milagre, precisamos obedecer as ordens do nosso Senhor e estas estão escritas no seu livro. E só obedeceremos a estas ordens se o buscarmos e, ao buscarmos, seguimo-lo;
  2. Após o povo se assentar, Jesus pega os pães, e os parte, dando graças em seguida, e reparte com os discípulos. O ato de dar graças (agradecer a Deus), partir o pão e distribui-lo são elementos comuns nas refeições judaicas e nós podemos observar isto na última ceia:

 

E, enquanto comiam, Jesus pegou um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: — Tomem; isto é o meu corpo.

A seguir, Jesus pegou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele.

Então lhes disse: — Isto é o meu sangue,o sangue da aliança,derramado em favor de muitos.

Em verdade lhes digo que nunca mais beberei do fruto da videira, até aquele dia em que beberei o vinho novo, no Reino de Deus.

Marcos 14:22-25

 

Tanto neste momento, na multiplicação dos peixes, como na última ceia, quem faz os atos é Jesus. Se fosse algum dos discípulos fazendo, seria uma distribuição comum e que não daria sucesso. Se fosse algum dos discípulos na última ceia, seria apenas o pão e o vinho, não a resignificação para o corpo e o sangue de Cristo. É Jesus quem faz e é a diferença e ele é quem faz o milagre. E qual foi o milagre?

 

No versículo 8 vemos o milagre: tinham 7 pães do tamanho de um bolo pra 4000 mil pessoas. Além dos pães, tinham alguns peixinhos. Alguns já é uma quantidade pequena, porque, se não fosse, seriam muitos peixinhos. A expressão no grego ainda define pedaços de peixes ou peixe do tamanho de uma sardinha. O que poderia ser feito com isto? O que eu ou você poderíamos fazer? Absolutamente nada. Mas nosso Jesus pode. Nosso Jesus faz. Ele faz mais do que pensamos ou imaginamos. Como que tão poucos pães e peixes poderiam alimentar tanta gente? E não apenas isto: eles se fartaram. Outras versões vão dizer que eles comeram à vontade, não sendo preciso economizar. Se imagine, irmão. Você com fome, passando necessidade. Jesus vê a sua necessidade e ele te supre, de acordo com a vontade e o querer dEle, no momento escolhido por Ele, porque Ele sabe qual é o momento certo para tudo. Ele é o Pão da Vida. Além disso, 7 cestos foram recolhidos. Na primeira multiplicação, os cestos utilizados eram diferentes dos cestos desta segunda multiplicação. Enquanto o cesto da primeira multiplicação eram cestos pequenos, os cestos desta multiplicação são os mesmos cestos usados para transportar Paulo em Atos 9:25: Mas os discípulos de Saulo tomaram-no de noite e, colocando-o num cesto, desceram-no pela muralha. Ou seja, sete cestos, com tamanho e capacidade para suportar um homem, cheios de pão!

 

Essas pessoas só puderam ser supridas porque estavam seguindo a Jesus. Se seguimos Jesus, temos nossas necessidades supridas. Na primeira multiplicação, o versículo 34 de Marcos 6 diz que Jesus vê a necessidade espiritual do povo e os alimenta, com seus ensinos, com sua palavra "Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas”. Agora Jesus vê a necessidade física do povo e os alimenta, com o pão físico. Jesus supre as nossas necessidades por completo! E ele disse que faria isto! No seu discurso do sermão da montanha, Jesus diz no versículo 25, do capítulo 6 do livro de Mateus:

 

— Por isso, digo a vocês: não se preocupem com a sua vida, quanto ao que irão comer ou beber; nem com o corpo, quanto ao que irão vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e não é o corpo mais do que as roupas?

Mateus 6:25

 

E, após dar exemplos comuns para a compreensão do povo, ele diz no trecho de 31 a 34:

 

Portanto, não se preocupem, dizendo: "Que comeremos?", "Que beberemos?" ou "Com que nos vestiremos?"

Porque os gentios é que procuram todas estas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de todas elas.

Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.

— Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

Mateus 6:31-34

 

Meus irmãos, segundo os estudiosos, Jesus deu esse sermão da montanha por volta do ano 27, no mês de junho, dizendo a seus seguidores que aquele que o seguisse teria suas necessidades supridas. A primeira multiplicação ocorreu no mês de abril de 28 e a segunda multiplicação no mês de julho do mesmo ano. Em ambas as situações, o povo estava buscando o Reino de Deus e lhe foi acrescendo como o Senhor falou. Jesus supre as necessidades dos seus seguidores, daqueles que buscam o Reino de Deus em primeiro lugar. O povo que ouviu as palavras de Jesus pode experimentar o que Jesus pôde fazer pessoalmente. Nós, que ouvimos a palavra de Jesus através deste livro, também podemos experimentar. O povo seguia a Jesus literalmente. Nós seguimos a Jesus através de cumprirmos a sua palavra, de obedecermos aos seus mandamentos e de sermos sensíveis a vós do Espírito Santo que, conforme diz a palavra, iria nos lembrar das palavras de Jesus.

 

No versículo 9, vemos que todos foram alimentados. O paralelo deste versículo 9 em Mateus, diz assim:

 

Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças

Mateus 15:38

 

O texto ainda acrescenta mulheres e crianças, que não eram contabilizados no tempo bíblico. Estudiosos indicam um número mínimo de 16 mil pessoas! 16 mil pessoas atingidas com 7 pães e algumas sardinhas e, não apenas isto, mas 7 cestos, que podiam abrigar um homem adulto, cheios de pão, que ainda foram usados para suprir as pessoas no retorno da viagem, conforme indica os versículos 14 a 16 de Marcos 8 (depois que Jesus chega ao seu destino, os discípulos não estavam com os cestos). Só Jesus pode fazer muito com pouco em nossas vidas, onde a única coisa que precisamos fazer é segui-lo. E, seja no muito ou falta, a presença constante dEle é o melhor alimento que podemos ter, pois só Ele tem o controle sobre tudo, seja no momento bom ou ruim. É esquecermos, momentaneamente das nossas necessidades, e buscarmos a Jesus, buscarmos a presença do Senhor. Ao buscarmos o Senhor e a sua presença, nossas necessidades são supridas, pois vemos que o mais importante é Jesus.


Um grande abraço,

Dodô Ramos
@dodosramos89

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