Um reflexão em Mateus 21:23-27
Jesus chegou a Jerusalém, entrando na cidade montado num jumentinho, cumprindo a profecia bíblica de Zacarias 9.9. Lá, expulsou comerciantes exploradores, curou cegos e coxos e recebeu adoração de crianças. Depois, foi para a Betânia passar a noite e, no caminho de volta para Jerusalém, ensina aos discípulos a lição da figueira. Já em Jerusalém, estava ensinando, quando foi confrontado pelos principais líderes religiosos do povo. Vamos ao texto?
Jesus entrou no templo e, quando já estava ensinando, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se aproximaram dele e perguntaram: — Com que autoridade você faz estas coisas? E quem lhe deu esta autoridade?
Jesus respondeu: — Eu também vou fazer uma pergunta a vocês. Se me responderem, também eu lhes direi com que autoridade faço estas coisas.
De onde era o batismo de João: do céu ou dos homens? E eles discutiam entre si: — Se dissermos: "Do céu", ele nos dirá: "Então por que não acreditaram nele?"
Mas, se dissermos: "Dos homens", é de temer o povo. Porque todos consideram João um profeta.
Então responderam a Jesus: — Não sabemos. E ele, por sua vez, lhes disse: — Então eu também não lhes digo com que autoridade faço estas coisas.
Mateus 21:23-27
Reflexão:
Vemos que os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo questionam Jesus quando ele estava ensinando, dentro do templo. O questionamento feito era com que autoridade Jesus fazia “estas coisas” e quem lhe deu esta autoridade. Precisamos observar que, desde a sua chegada em Jerusalém, Jesus:
1. Interrompe as atividades comerciais que aconteciam no templo (versículos 12 e 13);
2. Cura pessoas (versículos 14 a 16);
3. Ensina (versículo 23);
Estas três atitudes são comumente identificadas com “estas coisas” mencionadas pelo líderes religiosos. Jesus não era uma autoridade oficial (sacerdote ou escriba) para ordenar a expulsão dos comerciantes, tampouco ensinar no tempo. A autoridade para realizar estas coisas deveria ser fornecida pelo Sinédrio e, para fins de ensino no templo, a autoridade também deveria vir de algum rabino eminente, que atestaria e validaria aquele ensino. Além disso, ao realizar milagres, era indiscutível que havia alguma autoridade em Jesus ou que alguém havia lhe dado autoridade anteriormente. Estas três atitudes de Jesus desafiaram a autoridade que os rabinos possuíam, pois não podiam negar que Jesus tinha autoridade. O problema era que, se Jesus dissesse que sua autoridade vinha diretamente de Deus, os líderes religiosos poderiam acusá-lo de blasfêmia e usariam isso como desculpa para matar Jesus (como tentaram fazer antes, ex.: João 5:18).
Ao invés de responder com que autoridade fazia estas coisas, Jesus responde a pergunta com outra pergunta e esta pergunta era se o batismo de João era dos céus ou dos homens. O batismo de João, referido por Jesus, se tratava da obra realizada por João Batista que visava preparar o caminho para o Senhor, batizando as pessoas e pregando o arrependimento. João, sendo profeta, falando a respeito de Jesus disse:
1. Que Ele batizaria (derramaria sobre) com o Espírito, para os seus discípulos, e com fogo, para os impenitentes (Mateus 3.11);
2. Que Jesus era o Messias prometido (Mateus 3.14);
Se reconhecem que o batismo de João vinha do céu, isso implicava em acreditar que Jesus tinha autoridade para julgar vinda do céu porque Ele era o Messias prometido e isto colocava eles contra a parede, pois teriam de acreditar em Jesus, que a autoridade dele vinha diretamente de Deus e não teriam como condená-lo por blasfêmia, pois, de fato, ele possuiria autoridade para fazer tudo o que fez sendo o Messias. Além disso, muitos líderes religiosos foram se batizar com João Batista (Mateus 3:7) o que demonstrava que muitos criam que, de fato, João era profeta, e sendo profeta, deveriam crer que Jesus era o Messias.
Além disso, se dissessem que o batismo de João era dos homens, ainda assim, isto poderia trazer implicações negativas para os líderes religiosos. O motivo era que o povo considerava João Batista um profeta, pelas suas obras, vida e testemunho e, se alegassem isso, uma ira seria desencadeada entre o povo. Não podemos esquecer de um detalhe importante: em poucos dias aconteceria a Páscoa e, neste período de festividade, judeus de várias localidades distantes iriam para Jerusalém, não apenas judeus, mas também as autoridades romanas, para evitar qualquer tipo de insurgência. Uma resposta errada, dentro do templo, diante de tantas testemunhas, poderia gerar uma série de eventos que trariam danos não somente a eles, mas a todos. A verdade estava diante deles, porém eles se omitiram. Dizer que o batismo de João vinha do céu não apenas daria glória a Deus, mas levaria o povo ali presente a reconhecer Jesus como Messias. Mas eles preferiram omitir a verdade. Preferiram negar que Jesus era o Messias, dizendo que não sabiam de onde vinha a batismo de João. Mesmo diante de tantas provas e evidências, eles preferiram a mentira, ao invés da verdade.
Diante da resposta deles de que não sabiam de onde vinha o batismo de João, Jesus também não disse com qual autoridade fazia aquelas coisas porém, mesmo que não tivesse dito com palavras, através da resposta de Jesus sobre João Batista, eles sabiam de onde vinha autoridade de Jesus: dos céus. Todo o povo presente pode ouvir Jesus falar e, diante do testemunho de João Batista, era impossível negar que Jesus era de fato o Messias.
Diante de tudo isto, gostaria de trazer algumas aplicações:
1. Precisamos sempre avaliar por qual motivo vamos até Jesus. Queremos algum benefício próprio? Queremos a glória de Deus? Se trata somente da minha satisfação pessoal egoísta ou Deus será glorificado através disso? Em nenhum momento a autoridade de Jesus foi questionada porque queriam obter algo que pudesse glorificar a Deus, mas somente a si próprios. O próprio ato de questionar a autoridade de Jesus denota certa presunção, pois é o reconhecimento de colocar em dúvida o que Jesus disse e que há mais conhecimento em nós, do que nele.
2. Por uma questão de pseudo-proteção, egoísmo ou qualquer outro motivo, às vezes omitimos ou negamos a verdade. Os líderes judeus se recusaram a reconhecer a verdade de que Jesus era o Messias e de que Ele possuía autoridade para fazer tudo o que fazia. Não muitas vezes, negamos ou omitimos que somos cristãos através de nossas vidas, seja diante de Deus, seja diante dos homens e preferimos viver nossas próprias verdades, ao invés de vivermos o que Jesus deixou para nós em sua palavra. Se de fato somos regenerados, buscaremos mostrar, a todo tempo, que somos verdadeiramente cristãos, seja pelas nossas palavras, seja pelas nossas ações ou, se não estamos praticando isto, buscaremos, em Deus, a força necessária para agir da maneira que o agrade.
3. Precisamos reconhecer que Jesus possui autoridade sobre tudo e todos. Mesmo diante de tudo o que é mostrado na escritura, temos, às vezes, dificuldade de reconhecer que Jesus possui autoridade. Jesus é Deus. Ele é soberano. Como diz em Colossenses 1.16 e 17, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Então, podemos e devemos reconhecer que Jesus possui autoridade sobre tudo. Se ele quiser fazer, ele fará. Se ele não quiser, ele não fará. E precisamos reconhecer que, tudo o que fazemos, deve ser para a glória dele. Nossas orações devem ser para que se cumpra a vontade dele, não a nossa. Nossos pensamentos, nossas atitudes; tudo deve ser para ele. Não somos nada. Ele é tudo.
Um abraço,
Dodô Ramos
@dodosramos89
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